Verdes Faixas: Pedestres ganham espaço em rua de SP

28/09/2017


autor: André França

Faixas verdes onde antes estavam vagas para carros. Assim se define o novo modelo urbanístico para a rua Joel Carlos Borges, no Brooklin Novo, zona sudoeste de São Paulo. A via, relativamente estreita, proporciona acesso à estação Berrini, da Linha 9-Esmeralda da CPTM - Companhia Paulista de Trens Metropolitanos -- único acesso à rede de transporte de alta capacidade na região -- e se vê tomada de pessoas desviando dos carros nos horários de pico.

Inaugurada oficialmente no domingo, dia 24 de setembro, com as presenças do secretário municipal de mobilidade e transportes, Sérgio Avelleda, e do prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias, a reforma da via integra o conceito de "Rua Completa", da qual há clara priorização do pedestre. A calha viária foi redividida, com redução do leito de circulação de veículos, velocidade máxima estipulada em 20 km/h, ampliação do passeio, em pintura verde do asfalto, além da implantação de mobiliário urbano adequado, entre floreiras, bancos, lixeiras etc.

A medida fez parte de um projeto maior, proposto pela organização WRI Brasil, que lançou há três anos, em parceria com o USP Cidades, um concurso nacional para qualificar e encontrar soluções ao tráfego de pedestre no entorno de três estações da Linha 9-Esmeralda, dentre elas Berrini. Dos competidores, ganhou a proposta o "Urb-i - Urban Ideias", entidade de criação urbana e mobiliário, com projeto de solução rápida e econômica, composto por pintura de solo, tachões e balizadores refletivos. Demais elementos de mobiliário serão implantados em segundo momento.

Projeto aprovado, não houve componente político que possibilitasse a implantação no ano de 2016, tendo sido aguardada a mudança da equipe da nova gestão da prefeitura, de João Dória (PSDB), para dar sequência com o projeto. A possibilidade chegou junto às ações de conscientização na Semana da Mobilidade, encabeçada pelo governo municipal.

A largura do passeio foi ampliada em ao menos um metro para o asfalto, variando conforme o trecho. Há inclusive uma espécie de chicana [chicane - desvios forçados] nas proximidades com a Marginal Pinheiros, justamente a fim de ampliar o bolsão junto à esquina e entrada da estação, para manter os veículos em maior atenção dos pedestres, além de diminuir a velocidade de travessia. Segundo pesquisa do WRI, no pico manhã, entre 07h e 08h, cerca de 1.800 pessoas atravessam a via, contra pouco mais de 60 veículos em mesma faixa horária.

A rua se apresenta, além da passagem para integração com os trens, como ponto de encontro e permanência, já que conta com estabelecimentos comerciais, edifício de escritórios. hotel, campo de futebol, bares e restaurantes. A estes últimos, que concentram muitas pessoas nos happy hour noturnos, a faixa veio a calhar, tanto que outra rua próxima, a Hilário Furlan, também recebeu a faixa verde junto a um bar de esquina, provendo maior segurança aos frequentadores do estabelecimento.

Polêmica de outros tempos

A medida de pintura de solo para ampliação do passeio não é recente. Na cidade de São Paulo, as primeiras faixas verdes foram implantadas em setembro de 2015 em trecho de 750 metros da avenida Liberdade, entre as estações Liberdade e São Joaquim do Metrô. A medida, justificada à época pela prefeitura, na gestão Fernando Haddad (PT), era a de garantir a fluidez das cerca de 5.500 pessoas/hora da via, justo em trecho que agrega diferentes campi universitários. Em novembro de 2016 foi implantada a faixa verde da rua Galvão Bueno, tradicional via comercial, paralela à avenida Liberdade.

A implantação causou breve polêmica sobre a apropriação da calha viária com simples pintura de solo, em vez de ampliação das calçadas com obras; repetindo procedimento de rotina realizado para as ciclofaixas avermelhadas. No trecho da avenida Liberdade, porém, houve necessidade de ampliações pontuais do passeio junto a travessias e pontos de ônibus.


Azul em contraste

A cor azul já foi sinônimo de espaço reservado a pessoas em diversos cruzamentos de São Paulo. Na zona norte, pistas azuis dedicadas à caminhada foram implantadas no canteiro central da avenida Inajar de Souza e ocupando faixas e passeios à direita das pontes das Bandeiras e da Casa Verde, contrastando com o vermelho das ciclovias anexas, e no viaduto Pompeia, na zona oeste, ampliando a calçada.

Já em maio de 2016, a pintura junto às travessias de pedestre em diagonal (ou em "X") foi alterada. A cor azul de fundo fora substituída pelo verde para atender resolução do Contran - Conselho Nacional de Trânsito, seguindo o azul como referência a mobilidade reduzida.

Antes, conquanto, bolsões azuis foram implantados com o objeto de estender a área de espera de pedestres em travessias semafóricas, ou, em diversas esquinas, com vista a reduzir a passagem dos carros, proporcionando cruzamentos mais seguros para às pessoas. Um exemplo, pode ser visto a uma quadra da rua Joel Carlos Borges, na Praça General Gentil Falcão, que ainda ostenta os bolsões em pintura azulada.

Para a rua Joel Carlos, a expectativa é de esta servir de teste para validar a implantação em outras vias de tráfego semelhante. Em consolidação, a equipe do "Urb-i" considera a possibilidade de troca da atual sinalização por projetos definitivos, como ampliação física das calçadas, em prazo estimado de 2 a 3 anos. Resta agora verificar o uso das verdes faixas pela população nos meses que se seguem, e ponderar seus resultados. Aguardemos.

[link] Saiba mais do projeto no site do WRI Brasil - Cidades Sustentáveis.
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