Um novo olhar às Cicatrizes Urbanas: Cidades, ferrovias e transformações

21/03/2018

por Gabriella Takauti

     As cicatrizes contam histórias. São marcas deixadas na pele muitas vezes por consequência de algum acidente ou de um corte cirúrgico. A perda da integridade dos tecidos subcutâneos causam um impacto estético em quem as carrega, e provoca diversas maneiras de se lidar com elas. Algumas vezes, buscam-se cirurgias plásticas para corrigi-las, buscando uma uniformidade com o restante da pele não lesionada. Outras vezes, por carregarem histórias de superação, são assumidas em sua natureza, como motivo de orgulho e força. Outras vezes, assumem-nas, mas busca-se ressignificá-las, através, por exemplo, de tatuagens.

     No contexto urbano, essa história se repete. As cidades também carregam cicatrizes geradas por estruturas que contam histórias, e que muitas vezes trazem um impacto ao segregar o tecido urbano. A ferrovia pode ser considerada uma cicatriz urbana. Sua estrutura linearmente rígida e inflexível desintegra a malha que compõe a cidade ao desconectar os seus lados. As maneiras de se lidar com ela são diversas. Alguns defendem enterrá-las como uma maneira de resolver o problema da segregação do tecido urbano. Mas, assim como a cirurgia plástica, enterrar a ferrovia seria uma maneira de escondê-la e, portanto, de negá-la. Também é possível assumir as ferrovias em sua natureza, como testemunho de seu importante papel histórico na formação das cidades. Ou ainda, assim como a arte da tatuagem, é possível trazer um novo olhar à elas, ressignificando-as através da arte da arquitetura e do urbanismo, potencializando sua história, sem necessariamente negá-la.  

     É assim que, unindo minha paixão pelas ferrovias e motivada por uma das pessoas que mais amo - e que em breve carregará uma linda cicatriz como fruto de uma cirurgia - inicia-se o Projeto Pretty Scars, que busca trazer um novo olhar às cicatrizes, sejam elas humanas ou urbanas.

     Muito além de fazer parte do meu Projeto Final de Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, o projeto também é uma tentativa de empoderamento àqueles que ainda não aprenderam a lidar com suas cicatrizes.

     Assim, o projeto busca explorar duas atitudes positivas quanto às cicatrizes:

Atitude 1: Assumir

     Assumir as cicatrizes em sua natureza, como um forte símbolo de sua história.

"Minha cicatriz é meu renascimento, é de onde tiro forças pra continuar e minha certeza de que tudo pode melhorar"

Raquel Stringheta, e participação especial de Madeirinha.
   Cortar o cabelo curtinho e assumí-la, representou um momento marcante em que Raquel transformou seu olhar sobre sua cicatriz .

"Minhas cicatrizes pra mim são símbolos de força e de amor.A força que nem sabemos que temos, mas que está lá. A força que todos podemos ter, mesmo nas mais inimagináveis situações." 

Débora Onishi

Atitude 2: Ressignificar

     Para o Projeto Pretty Scars, Ressignificar é trazer um novo olhar às cicatrizes humanas ou urbanas através da ARTE da Tatuagem ou da arte da Arquitetura e do Urbanismo. Sempre com respeito à sua história, essa arte deve incorporar as cicatrizes, seja por meio da cobertura ou interação.

 "Eu acho que as cicatrizes fazem parte de você, sua história. (...) A minha cicatriz faz parte de mim, e essa em questão foi muito especial. Ela é parte de quem eu sou"

Juliana

"40 dias antes de se casar, um susto deixou essa cicatriz em Marcelo. Sua tatuagem representa sua vida, sua esposa e sua filha" Desenho feito pelo próprio Marcelo  

Marcelo

    Convidamos a participar do projeto tod_s aquel_s que têm lindas histórias relacionadas às suas cicatrizes, e que ou assumem-nas em sua natureza ou as ressignificam através da arte da tatuagem.

Para participar do Pretty Scars, mande um direct ou email com essas 3 coisinhas super simples:
1) seu nome, ou as iniciais dele
2) UMA FOTO bem bonita da cicatriz/tatuagem (sobre cicatriz):
• preferencialmente com fundo neutro
• em alta resolução (mínimo 8mp)
• a cicatriz em bastante destaque e nitidez: (Se for uma cicatriz pequena, sugerimos uma distância de ±20 cm da foto; Se for uma cicatriz grande, e você for aparecer, que a foto passe a imagem de empoderamento e fique bem bonita também)
3) uma PEQUENA FRASE (tweet) que conte:
.• o que sua cicatriz significa pra você (vale para as atitudes "assumir" ou "ressignificar")
.• como sua tattoo se relaciona com a história da sua cicatriz. (atitude "ressignificar") Sempre lembrando que a ideia é trazer um novo olhar às cicatrizes, mostrando sua história, sua beleza e sua força.
Assim que a foto for aprovada ela será publicada aqui na página do instagram @_pretty_scars
Serão selecionadas as 10 fotos mais bonitas (5 do tema ASSUMIR, e 5 do tema RESSIGNIFICAR) que também contem histórias bonitas pra fazerem parte do trabalho final de tema: "Cicatrizes Urbanas".  

Para participar: https://www.instagram.com/p/BfLodSLBGMR/?taken-by=_pretty_scars https://www.instagram.com/p/BfLodSLBGMR/?taken-by=_pretty_scars



Gabriella Takauti é estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e está desenvolvendo seu trabalho final de graduação:  Um novo olhar às Cicatrizes Urbanas: Cidades, ferrovias e transformações.