Bandeiras Da Brasil: Florescendo Simbolismos

30/08/2017


autor: André França

      Percorro a paulistana avenida Brasil, em experiência de intensa percepção visual. Lá, entre seus muitos casarões, mantidos como agências de carros, imobiliárias e laboratórios médicos de luxuoso padrão, um novo detalhe passa a chamar minha atenção: bandeiras. Muitas bandeiras. Vinte e nove delas, mais precisamente, distribuídas ao longo de seus dois quilômetros e pouco de extensão. A cada esquina, uma bandeira. Até duas em alguns casos. Estas são singelas, mas uma é até monumental. São portais de uma realidade ainda não clara, ou busca daquilo que há muito perdeu espaço junto ao povo: patriotismo simbólico.

     Se é certo que São Paulo, do Ipiranga às margens plácidas, esteve ao cerne da história no processo de emancipação do país perante a Coroa portuguesa; certo também é que do povo heroico, o brado retumbante tem se ecoado contra a instabilidade política dos últimos tempos. Desacreditado dos rumos, em meio a tantas adversidades, o brasileiro sobrevive. Mantém-se em desalinho com a política, em descrédito com o símbolo-pátria.

      Resgatar o sentimento de "Pátria Amada, idolatrada, salve, salve", em meio aos fatos que nublam as convicções, passa a ser um desafio. Mas São Paulo fez de forma curiosa, trazendo antes as bandeiras. O símbolo-pátria como lembrança de uma Nação, como presunção de um Estado partícipe, como mero aparato estético. Claro... nada mais coerente que à avenida chamada Brasil seja símbolo o lábaro que ostentas estrelado.

    Nunca antes de forma tão clara. Tão evidente. Tão despropositada. Que diga o verde louro destas bandeiras assim dispostas, em aleia, em sequência direta. Junto à [igreja] Nossa Senhora do Brasil, elas ainda se aproximam mais, mais constantes, mais impositivas como marcação de território pela gestão do presente alcaide. Uma marca, um símbolo. Dentre os canteiros taxados de Jardins, os risonhos lindos campos são mais desconexos.

   Renovados, catalogam peças de arte, espécies exóticas, desenhos não naturais. E bandeiras. Tal como arbóreos, fincados ao chão de tanto em tanto, compondo um jardim que quer se dizer patriota. Tão incrível e sublime, quanto meramente banal. Uma intenção em desajuste. Uma sensação do atordoado, como fiquei ao final do trajeto. Se por mera propaganda, ainda não sei. Mas em apoio à Nação, quiçá um dia cheguemos a bradar.

"Pátria Amada, [Avenida] Brasil !" //