#01. O Metrô de São Paulo pelo Desenho

12/09/2017

| REP | 1001 . A1
autor: Kássio Massa

Postagem #1 de série sobre desenhos do Metrô realizadas por Kássio Massa

DESCRIÇÃO:
ESTAÇÃO SÃO BENTO: URBAN SKETCH

AUTOR:
KASSIO MASSA

DATA:
2016

SITUAÇÃO:
INICIAÇÃO CIENTÍFICA - CNPq

ÁREA DE ATUAÇÃO:
REPRESENTAÇÃO/URBANISMO

PALAVRA DO AUTOR

Nascido e crescido em uma metrópole, São Paulo, sempre fui um aficionado por transportes, especialmente trens e aviões de passageiros, o que, somado à minha igualmente antiga inclinação ao desenho, de certo modo, me direcionou ao campo da arquitetura e do urbanismo, no qual estou próximo de me graduar. Ao longo da faculdade, busquei desenvolver uma linha de estudo voltada a entender dinâmicas do território sob a perspectiva da mobilidade urbana, fazendo uso das linguagens do desenho livre e, mais recentemente, da fotografia e da ilustração digital, como elementos centrais na construção de uma narrativa iconográfica na qual o "pensar pela imagem" tem um papel tanto interpretativo quanto propositivo.

Foi neste contexto em que desenvolvi o material intitulado "A Linha 1-azul do Metrô de São Paulo Ilustrada: arte, urbanidade e tecnologia retratadas em técnicas mistas", publicado em Setembro de 2016 no âmbito de um programa de iniciação científica realizado em cooperação com um amigo e colega de curso, Bruno Andrade, que também desenvolveu sua própria publicação sob a temática, ambos orientados pelo professor Flávio Marcondes, da FAU Mackenzie, que integrou, entre 1968 e 1974, a equipe de arquitetos do Metrô, conduzida por Marcello Accioly Fragelli.

Visando compreender e reinterpretar o conjunto arquitetônico da então Linha Norte-Sul - inaugurado em 1974 como o primeiro ramal metroviário da cidade, ligando os bairros de Santana e Jabaquara à região central -, por meio do desenho à mão livre, como uma "arqueologia iconográfica", o trabalho sincroniza técnicas variadas de desenho, recursos visuais e de composição, além da contextualização urbana, ao que se pretendeu narrar, orientando, assim, o processo de elaboração e de construção das ilustrações, tendo como aspecto norteador a síntese, através da qual os tópicos pudessem ser descritos, em sua essência, por algo entre um ou dois desenhos, cada.

Abrindo esta série de seis postagens com base na pesquisa, trago uma perspectiva da Estação São Bento, desenhada no formato de papel A3 (29,7 cm x 42,0 cm), recorrendo ao corte arquitetônico, a fim de evidenciar os quatro níveis que constituem o complexo, assim como enfatizar o papel pretendido pela praça rebaixada - que originalmente receberia usos comerciais em sua borda coberta - como uma transição entre a estação, o largo e o mosteiro que lhe emprestam o nome, importantes logradouros adjacentes como a Ladeira Porto Geral e, por fim, o Vale do Anhangabaú, já tamponado pelo viário. O ângulo de enquadramento da cena, definido com o auxílio de um computador, por meio dos recursos de visualização tridimensional da ferramenta Google Earth, possibilitou que a maior parte da testada dos edifícios pré-existentes do entorno, além das vias e de parte do Viaduto Santa Ifigênia, pudessem ser retratados. Aliás, a presença consolidada dessas construções, rentes ao largo, condicionou a sobreposição das vias dos trens e das plataformas da estação, além do uso, ao longo do curto trecho central da linha - entre as estações Luz e Sé, de uma máquina tuneladora (tunnel boring machine, em inglês, mas também conhecida como shield, couraça ou, popularmente, como "tatuzão"), devido à sua mínima influência na superfície e em áreas e terrenos vizinhos. A monocromia adotada neste desenho, baseada no trabalho do artista japonês Tomoyuki Tanaka, permitiu, com uso de caneta nanquim e grafite preto aquarelável, enfatizar texturas, formas, sobreposições e transparências, destacando a trajetória das duas vias do metrô visíveis mesmo sob ruas e prédios.

Ao longo das próximas postagens, virá à tona um panorama cronológico da implantação da Linha 1-azul do Metrô de São Paulo desde a virada entre os anos 60 e 70, abarcando, inclusive, sua extensão operacional inaugurada em 1991, entre Santana e Tucuruvi. 

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